Câmara vota nesta quarta (2) se autoriza investigação de Temer por corrupção. Cheiro de pizza paira no ar
July 31, 2017
PainelA crise política terá mais um capítulo nesta quarta feira (2), com a votação na Câmara dos Deputados da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção. Os deputados irão decidir se autorizam ou não o prosseguimento da investigação.
Para que o processo siga para análise e julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) são necessários 342 votos do total de 513 deputados. Para se safar, Temer precisa de apenas 171 votos a seu favor.
Os deputados irão votar o parecer do relator Paulo Abi-Ackel (PSDB), da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que é favorável a Temer e indica a rejeição da denúncia. Portanto, para que Temer seja investigado, a maioria dos deputados teria que rejeitar o parecer da CCJ, que vale destacar, foi aprovado à custa de manobras e escancarada compra de votos.
Na última sexta-feira (28), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), declarou que votar o quanto antes a denúncia contra Temer é “a melhor opção para o país”. Disse ainda estar confiante de que o quórum necessário para a votação, 342 presenças, será atingido.
Cheiro de pizza no ar É inacreditável, mas a votação contra Temer, o presidente mais impopular desde a redemocratização do país, que tem a aprovação pífia de 5% da população, tem tudo para acabar numa grande pizza nesta quarta.
Segundo placar do jornal O Estado de S.Paulo, apenas 188 deputados já declararam que irão votar a favor da denúncia contra Temer. Outros 110 já se disseram a favor do presidente corrupto e outros 215 preferiram não informar.
O governo diz estar confiante de que a denúncia será barrada. Analistas políticos têm dito o mesmo. A situação é absurda, mas não será surpreendente se de fato se consumar, se consideramos que é um Congresso, lotado de denunciados na Lava Jato e em outros processos judiciais, que irá julgar Temer. Vergonhosamente, a “solidariedade entre corruptos” pode prevalecer.
A questão é quais deputados terão a cara de pau de votar contra a investigação de Temer, diante da enxurrada de denúncias contra o presidente, provas e indícios. A denúncia apresentada pela PGR, em junho, é baseada nas delações da JBS e na gravação da conversa na qual Temer dá aval para o empresário Joesley Batista manter o pagamento de propina para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB).
Mas, ao que tudo indica, para esse Congresso de picaretas o “crime” compensa. Além da distribuição de cargos aos partidos, Temer liberou somente em julho metade de todo o orçamento empenhado ao longo de 2017. A maior liberação desses recursos em 2017 aconteceu no mês de julho: R$ 2,1 bilhões empenhados (compromissos assumidos para pagamentos posteriores) para as emendas. As liberações acontecem enquanto o governo federal aumenta impostos e edita medidas de ataques aos trabalhadores com a justificativa de que precisa cobrir um rombo fiscal de R$ 139 bilhões.
Fora Temer! Fora Todos os Corruptos! Abaixo as reformas! A votação nesta quarta-feira não vai por fim à crise política, mesmo que Temer consiga barrar a denúncia. Isso por que a PGR irá apresentar antes de setembro novas denúncias contra o presidente. Novas delações como a de Cunha e do doleiro Lúcio Funaro também prometem trazer à tona mais escândalos. Entretanto, Temer segue buscando manter o apoio que ainda lhe resta junto ao empresariado e planeja dar andamento às reformas e o próximo ataque é a Previdência.
A orientação da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas é que os sindicatos filiados realizem assembleias, plenárias, reuniões de comitês e outras atividades para debater e organizar a luta contra o governo, a resistência à implementação da Reforma Trabalhista e a retomada das mobilizações contra a Reforma da Previdência.
Neste dia 2 de agosto, as entidades devem buscar realizar um dia de lutas para exigir Fora Temer e todos os corruptos e dizer não às reformas.
A CSP-Conlutas faz também um chamado às centrais sindicais para que mantenham a unidade e retomem urgentemente a mobilização nas ruas para barrar a Reforma da Previdência e revogar as que já foram aprovadas. É necessário convocar um calendário de lutas e construir pela base das categorias em todo o país uma nova Greve Geral.
Com informações da Agência Brasil e Estadão
Fonte: CSP-Conlutas

